José Afonso
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Os Índios da Meia-praia

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Lyrics

Os Índios da Meia-praia

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Aldeia da Meia-Praia, ali mesmo ao pé de Lagos

Vou fazer-te uma cantiga da melhor que sei e faço

De Monte Gordo vieram, alguns por seu próprio pé

Um chegou de bicicleta outro foi de marcha a ré

Quando os teus olhos tropeçam no voo de uma gaivota

Em vez de peixe vê peças de oiro caindo na lota

Quem aqui vier morar, não traga mesa nem cama

Com sete palmos de terra se constrói uma cabana

Tu trabalhas todo o ano, na lota deixam-te mudo

Chupam-te até ao tutano, levam-te o couro cabeludo

Quem dera que a gente tenha de Agostinho a valentia

Para alimentar a senha de esganar a burguesia

Adeus disse a Monte Gordo, nada o prende ao mal passado

Mas nada o prende ao presente se só ele é o enganado

Oito mil horas contadas laboraram a preceito

Até que veio o primeiro documento autenticado

Eram mulheres e crianças, cada um com seu tijolo

Isto aqui era uma orquestra, quem diz o contrário é tolo

E se a má língua não cessa, eu daqui vivo não saia

Pois nada apaga a nobreza dos índios da Meia-Praia

Foi sempre a tua figura tubarão de mil aparas

Deixas tudo à dependura quando na presa reparas

Das eleições acabadas do resultado previsto

Saiu o que tendes visto muitas obras embargadas

Mas não por vontade própria porque a luta continua

Pois é dele a sua história e o povo saiu à rua

Mandadores de alta finança fazem tudo andar p'ra traz

Dizem que o mundo só anda tendo á frente um capataz

Eram mulheres e crianças cada um com seu tijolo

Isto aqui era uma orquestra, que diz o contrário é tolo

E toca de papelada no vaivém dos ministérios

Mas hão de fugir aos berros inda a banda vai na estrada

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