Maurício Gringo
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Era Uma Vez - Cármen Cinira

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Lyrics

Era Uma Vez - Cármen Cinira

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Era uma vez Cármen Cinira

Um coração

Cheio de sonho e flor, que mal se abrira

Nos jardins encantados da ilusão

Estraçalhou-se para sempre

Na voragem

Das trevas, dos abrolhos!

Era uma vez Cármen Cinira

Uma suposta imagem

Da perene alegria

Mas que trouxe em seus olhos

Eternamente

Essa amarga expressão de alma doente

Cheia de pranto e de melancolia!

Cármen Cinira! Cármen Cinira!

Que é da minha cigarra cantadeira?

Embalde te procuro

Por que cantaste assim a vida inteira

Cigarra distraída do futuro?

Perturbada

Aturdida

Busco a mim mesma aqui nestoutra vida

Onde estou, onde estou?

Minha vida terrena se acabou

E sinto outra existência revelada!

Não sei por que me sinto amargurada

Sinto que a luz me guia

Para a paz, para um mundo de alegria

Mas, ó imortalidade

Se na Terra eu te via

Como a aurora divina da verdade

Não julguei que inda a morte me abriria

Esse cenário deslumbrante

De outros sóis e de outros seres

E vejo agora

Que não amei bastante

E não cumpri à risca os meus deveres!

A fagulha de crença

Que eu possuía

Devia transformar numa fornalha imensa

De fé consoladora

E incendiar-me para ser luzeiro

Mas, ó Senhor da paz confortadora

Eu vi chegar o dia derradeiro

Em minha dor, na máscara de festa

E a morte me apanhou

Como se apanha uma ave na floresta

Experimento a grande liberdade!

Todavia, Senhor, ampara-me e protege

Minha triste humildade!

Eu te agradeço a paz que já me deste

Mas eis que ainda te imploro comovida

Porque me sinto em fraca segurança

Deixa que eu guarde ainda nesta vida

Meu escrínio de estrelas da Esperança

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