Patrocínio Vaz Ávila
Lyric guide

Romance do Injustiçado

Read Romance do Injustiçado lyrics by Patrocínio Vaz Ávila on LyroVerse, with linked artist context and related song paths.

Patrocínio Vaz Ávila visibility2 visits
person Curated by Ethan Walker LyroVerse team
Reference snapshot

The page facts to cite before the commentary

Use this page for the lyric text, linked artist context, and any LyroVerse editor's note attached to the song. Listener comments remain user-generated and should not be treated as the primary source.

Page type: lyric reference Artist: Patrocínio Vaz Ávila Canonical path: /patrocinio-vaz-avila/romance-do-injusticado Related lyric paths: 2
Lyrics

Romance do Injustiçado

The lyric stays readable and compact here; the note and related paths sit nearby so you do not lose the song while looking for context.

Como talhado em pau-ferro

O carão de traços duros

O bigodão mal cuidado

Desabando sobre os lábios

Par de asas mui cansadas

De um avejão de cor negra

Melena de muitos meses

Sobrando por sobre a gola

E o colorado de um lenço

Sangrando em riba do peito

A bombacha de dois panos

Remangada sobre a bota

Os cravos da espora grande

Mordendo a franja do pala

Bem atirado pra trás

No fivelão da guaiaca

Luzindo em campo de prata

O louro das iniciais.

Sobrando da faixa negra

Que lhe abarcava a cintura

O cabo entalhado em chifre

Da xerenga de dois palmos

Um relho, trança de oito

Vinha arrastando a açoiteira

Dependurado no pulso

Pelo tento do fiel

Pela rédea, o azulego

Se via que flor de flete

Malgrado a estampa judiada

De pingo que muito andou

Foi assim que há muitos anos

Bateu nas casas da estância

O celebrado bandido

Chamado “estácio arijo”

Bandido

Para a justiça

Por seu respeito se explique

Que as razões de um índio macho

Nem sempre são bem aceitas

Pelos códigos e leis.

Bandido

Por ter sangrado

Igual de raiva e de armas

A um cujo que desonrara

A mais moça das irmãs.

Bandido,

Porque apertado

Entre as brigadas e a enchente

Já não podendo escapar

Por debaixo da fumaça

Matou um dos quatro praças

Que lo quiseram carnear.

Bandido,

Porque seguido

Por milicadas sequiosas

De uma vingança total

Fugiu da estrada real

Para o mais fundo dos matos

Carneando chibos alheios

Para o churrasco sem sal.

Bandido,

Porque enleado

Na rudez da ignorância

Fez da fuga e da distância

Seu modo de mal viver

Porque quis a sina ingrata

Que nunca tivesse plata

Para pagar um bacharel.

Bandido,

Porque não teve,

A exemplo de tanta gente,

Cancha livre, costas quentes,

À sombra de um coronel.

E assim viveu como bicho,

Pelos fundões das fazendas,

A carregar a legenda

De perigoso e assassino,

Ximbo, bagual, teatino,

Com fama de touro alçado,

Tragando o duro guisado

Que lhe picava o destino.

N’algum bolicho de estrada

Boleava a perna cestroso,

Pelos domingos de tarde.

Para um cantil de cachaça,

Meio quilo de bolacha

Mais um punhado de sal.

Olhava de olhos compridos

Para o mais das prateleiras,

Pra um bom fumo amarelinho,

Pros maços de palha buena,

Para a erva de palmeira,

Num saco sobre o balcão.

Mas vinha curto seu cobre,

Mal e mal traz precisão;

O bolicheiro era pobre,

E ele não era ladrão.

E a polícia no seu rastro,

Malgrado o tempo passado,

Perseguido e acuado

Por plainos e socavões,

Sempre mudando de pouso

Pra confundir os milicos,

Que em manhas sim, era rico,

Por evidentes razões.

Cansou-se um dia, afinal,

Daquela vida de bicho,

Daquele estranho cambicho

Com as más volteadas da sorte,

De não ter rumo nem norte,

Não ter descanso ou sossego.

E assim bateu cá na estância,

Naquele entono de taita

Que manda parar a gaita

Por ter cansado do baile.

E ao patrão, velho boerana,

Pediu estácio arijo

Que mandasse algum chirú

Levar ao povo um recado:

Que viesse o delegado,

Que ele afinal resolvera:

Ele, o bandido; ele, o maula,

Trocar o largo dos campos

Pelo encolhido das jaulas.

Nas suas noites de insônia,

Entre um pelego e as estrelas,

Conseguira convencer-se

Que, sendo justa, a justiça

Lhe entenderia as razões

E lhe daria, a lo muito,

Poucos anos de condena

Ou mesmo absolvição.

Foi então, que a meia tarde,

Num fordecão atochado,

Deu na estância o delegado

Com quatro praças por quebra

Para formar o sarilho:

Quatro fuzis embalados,

Quatro dedos no gatilho.

Então ... estácio arijo

Tomou seu último mate,

No mesmo entono de guapo

Que era seu jeito de sempre,

Arrastou a espora grande

Na direção dos milicos.

- nem mais um passo!

Gritou-lhe num gritinho de falsete,

O delegado, um joguete

Nas mãos do chefe local.

- levante as mãos!

- largue as armas!

- esteje preso, seu bandido,

Seu metedor de pendenga!

E o arijo, decidido

A entregar-se sem briga,

Levou a mão à barriga

Para descartar a xerenga.

- cuidado! berrou um praça.

Tremeram cinco covardes;

E na calma desta tarde

Berraram quatro fuzis,

Quatro sóis de fumo e sangue

Se lhe acenderam no peito.

Foi desabando aos pouquitos

De frente para os milicos,

No jeito de um velho angico

Caído junto às macegas

Que lhe invejavam o entono.

E já quase adormecendo

Para o derradeiro sono,

Quatro vezes mal ferido,

Teve ainda tino e ouvido

Para escutar um dos cinco

Que lhe gritava:

- bandido!

Caiu ...

Olhando pro céu,

Tinto de sangue e de luz.

Dava-lhe o sol pela frente,

Como a incendiar-lhe a figura,

A mais rica das molduras

Para enquadrar um valente !

Quick answers

What this page can answer fast

Who performs "Romance do Injustiçado"?

Patrocínio Vaz Ávila performs "Romance do Injustiçado", and this lyric page sits inside the Patrocínio Vaz Ávila catalog on LyroVerse.

Are there related songs to explore after "Romance do Injustiçado"?

Yes. The related section below points to Pedro Borges, Capitão and Romance do Tio Abel with a short reason for opening each page next.

Where can I find more songs by Patrocínio Vaz Ávila?

Use the artist link near the top of the page or the related paths section below to keep moving through Patrocínio Vaz Ávila's lyric pages.

Song Room

Interpretations, questions, and corrections for this song

Interpretations, questions, memories, and correction notes live together here. The room stays noindex while the best insights are reviewed.

Open Song Room
0 followers Selected insights only surface after moderation
Listener comments

What people are saying

0 comments
Add a short interpretation or memory

A strong comment here is specific: the phrase you keep hearing, the mood you come back for, or the reason this song stays in rotation.

Sign in to post the first listener note. Reporting stays open to everyone.

No listener comments on Romance do Injustiçado yet.