Patrocínio Vaz Ávila
Lyric guide

Romance do Tio Abel

Read Romance do Tio Abel lyrics by Patrocínio Vaz Ávila on LyroVerse, with linked artist context and related song paths.

Patrocínio Vaz Ávila visibility2 visits
person Curated by Ethan Walker LyroVerse team
Reference snapshot

The page facts to cite before the commentary

Use this page for the lyric text, linked artist context, and any LyroVerse editor's note attached to the song. Listener comments remain user-generated and should not be treated as the primary source.

Page type: lyric reference Artist: Patrocínio Vaz Ávila Canonical path: /patrocinio-vaz-avila/romance-do-tio-abel Related lyric paths: 2
Lyrics

Romance do Tio Abel

The lyric stays readable and compact here; the note and related paths sit nearby so you do not lose the song while looking for context.

Nove leitos de hospital,

Paredes e rostos alvos...

...E o cristo crucificado,

Olhando - compadecido -

Aquele arrastar de cruzes

De miséria e de doença...

...Restolhos de tempo antigo

Naquele quarto de dores.

Pinga o soro endovenoso

Em contraponto ao gotejo

De uma sonda intra-uretral...

- Eu pareço um surrão furado,

Água que botam por riba

Sai dereto lá por baxo!

E um xistoso e dolorido

Sorriso, de meia-boca,

Aviva o rosto do abel.

Aquele corpo que outrora

Soube agüentar muita lida

De cercado, de mangueira

E de lombo de cavalo,

Hoje afocinha no pasto

- No sobre-lombo de um pealo -

De oitenta anos bem postos

Que a vida, porteira-a-fora,

Vem lhe ajeitando a mangueada

- Costeada da “tar da prosta” -

Direito à cruz de pau-ferro,

Na costa de uma picada.

- Por que é que o tar Deus dos branco

Faiz isso co´os negro véio?...

...Por que é que a morte não veio

No estôro duma rodada?...

- E aquela tropa morruda

Que nóis atiremo n´água

No passo dos enforcado

- Camaquã de gaio-a-gaio -

E o meu gateado cabano

Se entregô pra correnteza...

...Não fosse a cola dum tôro

Que me cruzô no costado!...

- Por que é que o tar Deus dos branco

Não me feiz essa gauchada?...

- Morrê não é o bochincho!...

...Morrê sozinho é que é!

- Não tive fio o muié

Que me ajudasse estas hora.

- E essa mardita demora

Em dá co´a cola nas pedra!

- E o neto do patrão véio,

Que hoje trabaia no povo,

Nessa tar de capitar...

...Quando guri, só andava

Grudado na mi´as bombacha...

...Por que é que tempo não acha

Pra vê os que le pertence?...

- Moça, óia aqui...

...O meu braço tá inchando!...

A enfermeira...contrariada

Com a pouca remuneração,

Sem a menor caridade

Ou compaixão ao seu próximo,

Ainda xinga o negro velho

Quando a agulha sai da veia.

- Quem será que vai cevá

O mate do meu patrão?...

- Quem será que vai ficá

I'm riba do fogo grande

Pra não dexá isfriá as marca

Nos dia de marcação?...

- Quem vai insiná os negrinho

Como se encia um cavalo?...

- Quem vai descascá marmelo

E mexê tacho de doce

No calorão do verão?...

- Quem vai mostrá pros mais novo

O rasto da capinchada

E o sinar das resbalada

Nas barranca dos arroio?...

- Quem vai insiná os negrinho

A pialá de bolcado?...

- Quem vai desfazê os mandado

Quando a tormenta se enfeia?...

- Quem vai - de garganta cheia -

Cantá um chote bem marcado,

Fazendo viola e costado

Pra cordeona botoneira?...

- Quem vai contá pros negrinho

Do tempo em que o avô deles

Boleava toro aragano,

Das gadaria bagual?...

- Quem vai mostrá pros mais novo,

Ou pros criado no povo,

Que home e cavalo novo

Se conhece pelos óio?...

- Tá na hora do remédio,

Abre a boca, seu abel!

- Isso é amargo como um fel...

...Se, ao menos, viesse um mate!...

E um sol ilumina o rosto

Desbotado e descarnado,

Num sorriso de alegria,

Que há muito já não saía

Da boca do negro velho.

- Trouxe um mate tio abel...

...Custei um pouco, mas vim...

...Acaso o senhor achava

Que o seu negrinho mimoso

Não ia deitar o toso

Pra cuidar do negro velho?

- Acaso o senhor pensava

Que o seu negro não lembrava

Daquele tempo passado,

Quando só andava grudado

Nas dobras da sua bombacha?

- É certo que lhe agradeço

Por me ensinar o que sei...

...E se achei rumo na vida

Sei de pronto, e com certeza,

Que é por saber com clareza:

Trago na alma a firmeza

Que dos antigos herdei.

- Agora sim, Deus dos branco,

Que o meu negrinho já veio!...

...Agora esse negro véio

Pode morrê descansado!...

...Que os tempo não são os mesmo

E os home tamém não são!...

...Mas quem plantô bem-querença

Nos cercado da amizade,

Colhe amor e leardade

Nas safra do coração!

Quick answers

What this page can answer fast

Who performs "Romance do Tio Abel"?

Patrocínio Vaz Ávila performs "Romance do Tio Abel", and this lyric page sits inside the Patrocínio Vaz Ávila catalog on LyroVerse.

Are there related songs to explore after "Romance do Tio Abel"?

Yes. The related section below points to Pedro Borges, Capitão and Romance do Injustiçado with a short reason for opening each page next.

Where can I find more songs by Patrocínio Vaz Ávila?

Use the artist link near the top of the page or the related paths section below to keep moving through Patrocínio Vaz Ávila's lyric pages.

Song Room

Interpretations, questions, and corrections for this song

Interpretations, questions, memories, and correction notes live together here. The room stays noindex while the best insights are reviewed.

Open Song Room
0 followers Selected insights only surface after moderation
Listener comments

What people are saying

0 comments
Add a short interpretation or memory

A strong comment here is specific: the phrase you keep hearing, the mood you come back for, or the reason this song stays in rotation.

Sign in to post the first listener note. Reporting stays open to everyone.

No listener comments on Romance do Tio Abel yet.