Gaúcho perdeu sua gana, como num simples estalo,
Gaúcho perdeu seu luxo, suas pilchas e seu cavalo,
“Pero no sabe por bueno”, “pero no sabe por malo”.
O campo some com a estiagem dos tempos,
Ficam lamentos de quem viveu com fartura,
Não vejo tropas que antes cruzavam estradas,
Cortando pampa de coxilhas nas lonjuras.
Moldei meu tempo nas paragens missioneiras,
Me fiz tumbeiro nas moradas campesinas,
Sorvendo apojo banhado de madrugadas,
Lavando a alma nas aguadas cristalinas.
A estância virou potreiro, meu tempo virou saudade,
Meus sonhos rudes campeiros, tropeados para cidade,
São testemunhas silentes dessa triste realidade,
Memórias de um peão posteiro clavadas na eternidade.
Pra onde foram os bolichos de campanha,
Jogos de tava, carreirada e pulperias,
Os domadores quebrando queixo de potros,
Os doze braças trançados das guasquerias.
E as tesouras parceiras dos tosadores,
Cortavam velos nas comparsas de esquila,
Foram tosquiadas pela inconstância do tempo,
Que apaga o rastro da tradição mais antiga.
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